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Neste post
- Os 4 costumes que o brasileiro estranha em Buenos Aires
- Por que tem tanta gente fumando na rua e a comida vem com pouco sal
- Buenos Aires é perigoso? O que o consulado recomenda
- As frases em espanhol pra se virar em cada situação, com áudio
Em 2017 eu fiz um intercâmbio na Argentina com o meu marido, por um sorteio que ganhei da Courconnect, a agência de intercâmbio que era nossa parceira na época (a história toda dessa viagem a Buenos Aires está no post do intercâmbio). A viagem foi maravilhosa: Buenos Aires é uma cidade linda, de arquitetura elegante e cafés com estilo europeu, e a gente amou. Mas quatro costumes argentinos estranham qualquer brasileiro: o cigarro em toda parte, a higiene ao servir a comida, o cocô de cachorro na calçada e a comida quase sem sal.

Os costumes argentinos que eu estranhei em Buenos Aires
Não são coisas ruins da Argentina, e eu não passei raiva por causa delas: são costumes diferentes dos nossos, naturais da cidade, e quem vai pra lá precisa se acostumar. Em cada um deixei as frases em espanhol pra se virar, com áudio no sotaque argentino, e no fim respondo outra dúvida de quem planeja a viagem à Argentina: Buenos Aires é perigoso?
O cigarro em toda parte (e por que o fumante fica na calçada)
A primeira coisa que a gente estranhou foi o cigarro: as pessoas fumam MUITO, em toda parte. Não teve UM lugar sem fumante. Em praticamente todas as ruas, principalmente no centro, a fumaça voava na cara de todo mundo, e toda hora alguém passava ou andava na nossa frente soltando fumaça.
Quem não fuma, como eu e o meu marido, se incomoda bastante. Cada um é cada um, claro, mas se você não está acostumado, saiba que é muito comum, e não é hábito de um grupo só: a gente viu todo tipo de gente fumando. A impressão que tive é que lá o cigarro ainda tem aquela fama de elegante, coisa que aqui no Brasil já não pega.
E tem um motivo prático também. Desde 2011, uma lei nacional (a 26.687) proíbe fumar em lugar fechado de acesso público, mas deixa fumar em pátio, terraço, varanda e área ao ar livre. Resultado: quem fuma vai pra rua e pras mesinhas de calçada dos cafés.

Se a fumaça te incomodar como incomodou a gente, pede mesa lá dentro:
¿Tenés una mesa adentro?
Você tem uma mesa lá dentro?
Preferimos adentro, gracias.
Preferimos lá dentro, obrigada.
Esse tenés é o voseo, o jeito argentino de conjugar o verbo com vos, e você vai ouvir isso o tempo todo por lá.
Como é a higiene ao servir a comida
Outra coisa que a gente estranhou foi na hora de servir. Quase ninguém usava luva ou touca, nem nos fast-foods, e a mesma pessoa pegava o dinheiro e a comida. No Brasil a gente estranha, mas lá é normal. Óbvio que não deixamos de comer por causa disso, mas incomoda um pouco quem está acostumado com outra coisa.

E o vocabulário dessa cena é este:
los guantes
as luvas
Para llevar, por favor.
Pra viagem, por favor.
¿Cuánto sale?
Quanto custa?
¿Cuánto sale? é o jeito argentino de perguntar o preço. Em outros países se diz mais ¿cuánto cuesta?, mas em Buenos Aires você vai ouvir sale o tempo todo.
O cocô de cachorro na calçada
Esse é até engraçado de tão estranho. Aqui no Brasil muita gente tem cachorro e, quando sai pra passear, já leva uma sacolinha pra recolher o cocô; em vários parques tem até sacolinha “pública”, pra quem esqueceu.
Em Buenos Aires tinha cocô de cachorro em vários bairros. No centro a gente viu poucas vezes, mas era só se afastar um pouco que já tinha cocô espalhado no chão: San Telmo, La Boca, Palermo, Recoleta, todos com algum cocô nos cantos da rua. A gente chegou a fazer caminhadas de 30 minutos de um lugar a outro sempre desviando, e por sorte não pisou em nenhum, porque andar pela cidade com cocô grudado no pé, ninguém merece.
O assunto é tão sério que o jornal Clarín já fez uma matéria dizendo que os cães deixam TONELADAS de cocô por DIA nas ruas da cidade (as estimativas citadas iam de 35 a 70 toneladas). Olha a matéria aqui.

Moral da história? Anda olhando pra baixo e aprende a avisar quem está com você:
¡Cuidado, mirá dónde pisás!
Cuidado, olha onde você pisa.
Caminamos por la vereda.
Andamos pela calçada.
Vereda é calçada
Na Argentina (e em boa parte da América), vereda é a calçada. Na Espanha se diz acera. Nada a ver com a nossa “vereda”, aquela trilha no mato.
A comida quase sem sal (e o saleiro que só vem se você pedir)
Por último, o que mais surpreendeu a gente na mesa durante a viagem à Argentina: o uso do sal nos alimentos. Desde 2013, com a Lei 26.905, a Argentina tenta reduzir o sódio e o sal da comida pra diminuir a hipertensão e as doenças cardiovasculares. A lei fixa quanto sódio os alimentos podem ter, pede prato sem sal adicionado no cardápio e tira o saleiro da mesa: o sal só vem se você pedir.
As refeições vinham com quase nenhum sal, e quando o sal chegava era diferente do nosso: a gente precisava colocar bastante pra chegar no gosto do brasileiro. Nada de mais, acho que a iniciativa vai conseguir o resultado que deseja, mas é bem diferente do nosso costume.

Então o jeito é pedir mesmo:
¿Me traés la sal, por favor?
Você me traz o sal, por favor?
Está un poco soso.
Está um pouco sem sal.
La cuenta, por favor.
A conta, por favor.
O traés é o voseo de novo (com tú, seria ¿me traes la sal?). E se der branco na hora, la sal, por favor resolve.
Soso é a palavra pra comida sem sal, sem graça. E no fim, peça a cuenta, e não a “conta” como em português, porque em espanhol conta não existe.
Buenos Aires é perigoso? Dicas pra andar tranquilo
Essa é uma dúvida comum de quem planeja a viagem. O Consulado-Geral do Brasil em Buenos Aires não manda ninguém evitar a cidade: o alerta dele pro brasileiro fala de furto e de perda de documento, sobretudo nas zonas mais turísticas. Então o perigo de Buenos Aires é o de cidade grande: atenção com celular, carteira e mochila onde tem muita gente, e documento guardado.
O consulado recomenda sair com um documento só (o RG ou o passaporte, não os dois), ter uma cópia dele e viajar com seguro médico internacional. Se acontecer alguma coisa, a polícia atende no 911, a emergência médica (o SAME) no 107, e a polícia turística fica na Avenida Corrientes 436, aberta 24 horas.

E as frases pra pedir ajuda, se precisar:
Me robaron el celular.
Roubaram o meu celular.
¿Dónde queda la comisaría?
Onde fica a delegacia?
Necesito ayuda, por favor.
Preciso de ajuda, por favor.
Perdí el pasaporte.
Perdi o passaporte.
Os passeios, bairro por bairro, estão no guia do que fazer em Buenos Aires.
Mais frases pra sua viagem a Buenos Aires
Pra andar pela cidade, essas aqui resolvem quase tudo:
¿Dónde queda la parada del colectivo?
Onde fica o ponto de ônibus?
¿Aceptan tarjeta?
Vocês aceitam cartão?
Pará acá, por favor.
Para aqui, por favor.
Che, ¿esto qué es?
Ei, o que é isso?
¡Qué lindo día!
Que dia lindo.
O colectivo e o che estão explicados no guia de Buenos Aires; mais jeito de falar dos portenhos, no post de gírias em espanhol e nas músicas argentinas.
Teste antes de embarcar
Você se viraria em Buenos Aires?
0 de 5Em Buenos Aires, "la vereda" é…
"¿Cuánto sale?" quer dizer…
Pra chamar a polícia em Buenos Aires, você liga pro…
Comida sem sal é comida…
Por que não tem saleiro nas mesas dos restaurantes argentinos?
E você, também percebeu essas coisas quando viajou pra lá, ou estranhou alguma outra? Me conta num direct no Instagram.
Fontes
Conferidas em 07/10/2026 (a lei antitabaco, o alerta do consulado e as fotos, em 22/10/2026).
- Governo da Argentina, Ley simple: consumo de sal (Lei 26.905) e consumo de tabaco (Lei 26.687).
- Infobae, Por ley, los alimentos tendrán menos sal a partir del próximo año (2013).
- Clarín em português, Cães deixam toneladas de cocô em Buenos Aires (2014), com as estimativas de 35 a 70 toneladas por dia.
- Consulado-Geral do Brasil em Buenos Aires, Alerta aos viajantes brasileiros na Argentina (atualizado em 25/09/2024).
- Fotos do Wikimedia Commons: Café La Biela, de Julia Sumangil (CC BY-SA 4.0); barraca de choripán na Plaza de Mayo, de Paul Keller (CC BY 2.0); paseador de perros, de Anastasiya Lvova (CC BY 3.0); parrillero na Feira de Mataderos, de Harryhesse (CC BY-SA 4.0); e Caminito, de Luis Argerich (CC BY 2.0).
Professora de espanhol · Letras/UnB · mais de 10 anos de aulas
Formada em Letras pela UnB (Universidade de Brasília), dando aulas de espanhol há 10 anos.